O que são abordagens psicológicas e como escolher a ideal para você.

Ficou em dúvida sobre qual abordagem psicológica escolher? Veja como funcionam as principais linhas da psicologia e encontre a mais adequada para você.

8/28/20259 min read

Você já se perguntou por que existem diferentes tipos de terapia ou por que alguns psicólogos dizem seguir a psicanálise, outros a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), e ainda há aqueles que mencionam termos como gestalt, humanismo ou sistêmica? Para quem está pensando em começar um acompanhamento psicológico, essas palavras podem soar distantes e até confusas. Afinal, o que são exatamente as abordagens psicológicas e como elas impactam na sua experiência em terapia?

A resposta é mais simples do que parece: cada abordagem psicológica é um modo específico de compreender o ser humano, seus pensamentos, emoções e comportamentos. É como se fossem diferentes lentes pelas quais o psicólogo observa e trabalha junto ao paciente. Algumas focam mais no presente e em soluções práticas; outras exploram o passado, buscando entender raízes profundas de sentimentos e comportamentos. Todas, no entanto, têm um objetivo em comum: ajudar você a viver com mais equilíbrio, autoconhecimento e qualidade de vida.

É cada vez mais comum que homens e mulheres busquem na terapia um espaço de pausa e reflexão. Nesse momento, surge a dúvida: qual abordagem é a certa para mim?

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e acolhedora o que são as abordagens psicológicas, apresentar as principais delas e mostrar como cada uma pode contribuir para o seu bem-estar. Assim, você terá mais clareza para escolher um psicólogo e dar o primeiro passo rumo a uma vida mais equilibrada.

O que significa "Abordagem Psicológica"?

Para desmistificar o universo da terapia, é fundamental entender o conceito de "abordagem psicológica". Imagine que você está planejando uma viagem. Existem diversas maneiras de chegar ao seu destino: de carro, de avião, de trem. Cada meio de transporte tem suas particularidades, suas vantagens e desvantagens, e a escolha dependerá do seu tempo, orçamento e preferências.

No campo da psicologia, as abordagens funcionam de maneira similar. Elas são os diferentes "caminhos" ou "lentes" pelos quais o psicólogo compreende o funcionamento humano, a origem de seus problemas e as estratégias para promover o bem-estar. Não existe uma abordagem "certa" ou "errada"; cada uma oferece um olhar único sobre a mente e o comportamento, e a eficácia reside na adequação entre a abordagem, o paciente e o problema em questão.

É importante ressaltar que todas as abordagens reconhecidas e utilizadas por profissionais da psicologia são baseadas em teorias científicas e pesquisas rigorosas. Elas foram desenvolvidas ao longo de décadas de estudo e prática clínica, buscando oferecer ferramentas eficazes para lidar com os desafios da vida. O que as diferencia são os fundamentos teóricos, os métodos de intervenção e o foco principal do tratamento.

Por que existem diferentes abordagens? um breve histórico.

A psicologia como ciência é relativamente jovem, mas a busca pelo entendimento da mente humana é milenar. No final do século XIX e início do século XX, com o avanço do conhecimento científico e a complexidade crescente das sociedades, surgiram as primeiras escolas de pensamento psicológico. Cada uma delas nasceu de inquietações e observações de grandes pensadores, que tentaram dar respostas a perguntas como:

  • O que nos motiva?

  • De onde vêm nossos medos e angústias?

  • Como aprendemos e desaprendemos comportamentos?

  • Qual o papel das experiências passadas no nosso presente?


Assim, a diversidade de abordagens reflete a complexidade do próprio ser humano. Não há uma única fórmula para lidar com a infinidade de experiências, emoções e problemas que podemos enfrentar. Cada abordagem foi desenvolvida para oferecer um conjunto de ferramentas e uma compreensão mais profunda de aspectos específicos da experiência humana.

Por exemplo, enquanto alguns pioneiros se debruçaram sobre a influência do inconsciente e das experiências da infância (dando origem à Psicanálise), outros focaram na observação dos comportamentos e em como eles são aprendidos (fundamentando o Behaviorismo e, posteriormente, a TCC). Mais tarde, a preocupação com o potencial de crescimento e a liberdade humana deu origem às abordagens humanistas. Essa evolução contínua enriquece o campo da psicologia, permitindo que cada pessoa encontre um caminho terapêutico que ressoe com suas necessidades e crenças.

Principais Abordagens Psicológicas usadas no Brasil.

No Brasil, o cenário da psicologia é rico e diversificado, com diversas abordagens sendo praticadas por profissionais qualificados. Conhecer as principais delas pode te ajudar a identificar qual ressoa mais com o que você busca na terapia. Vamos explorar as mais comuns:

Psicanálise.

A Psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud, é uma das abordagens mais conhecidas e, por vezes, mal compreendidas. Ela se baseia na ideia de que grande parte do nosso comportamento e sofrimento é influenciada por processos inconscientes – memórias, desejos e conflitos que estão fora da nossa percepção imediata, mas que moldam nossa forma de pensar, sentir e agir.

Na terapia psicanalítica, o foco não está apenas em resolver problemas imediatos, mas em explorar as raízes profundas do sofrimento, muitas vezes ligadas a experiências da infância e a padrões de relacionamento estabelecidos ao longo da vida. O paciente é encorajado a falar livremente (associação livre), e o analista, por meio da escuta atenta, ajuda a interpretar e a trazer à consciência esses conteúdos inconscientes.

Como pode ajudar você: Se você sente que padrões repetitivos se manifestam na sua vida, seja em relacionamentos, no trabalho ou na forma como lida com suas emoções, a psicanálise pode oferecer um caminho para compreender a origem desses padrões. É indicada para quem busca um autoconhecimento profundo, está disposto a explorar o passado e a lidar com temas complexos, como traumas, medos e desejos. É uma abordagem que demanda tempo e paciência, pois o processo de autodescoberta é gradual e transformador.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Você já percebeu como um pensamento pode mudar completamente o seu dia? Basta acordar acreditando que “nada vai dar certo” para que cada situação pareça mais difícil. É justamente nesse ponto que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar: ela nos ensina a identificar padrões de pensamento que alimentam o sofrimento e a substituí-los por formas mais saudáveis de lidar com a vida.

O que é a TCC?

A TCC é uma das abordagens terapêuticas mais estudadas e eficazes da psicologia. Criada nos anos 1960 por Aaron Beck, parte da ideia de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Em outras palavras: o que pensamos influencia o que sentimos e o modo como agimos.

Muitas vezes, não é a situação em si que gera sofrimento, mas a forma como a interpretamos. Por exemplo, perder um compromisso pode ser visto como “fracasso total” ou como “um imprevisto que pode ser reorganizado”. Essa diferença de interpretação muda completamente a experiência emocional.

Como funciona na prática?

Na TCC, psicólogo e paciente trabalham em conjunto. A terapia é colaborativa e ativa:

  • Você aprende a identificar pensamentos automáticos negativos (como “não sou capaz” ou “vou falhar”);

  • Explora estratégias para questionar e reformular esses pensamentos;

  • Treina habilidades práticas, como assertividade, resolução de problemas e técnicas de enfrentamento;

  • Muitas vezes, leva “tarefas de casa”, que ajudam a aplicar o aprendizado na rotina real.

Assim, cada sessão se conecta diretamente à vida do paciente, tornando o processo mais dinâmico e concreto.

Como pode ajudar você: a TCC é altamente indicada para quem busca soluções mais diretas e práticas para problemas específicos, como ansiedade (incluindo pânico, fobias sociais e generalizada), depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), estresse, problemas de sono e manejo da raiva. Se você tem uma rotina agitada e busca ferramentas eficazes para lidar com o dia a dia, a TCC pode ser uma excelente opção, pois foca em desenvolver habilidades de enfrentamento e mudar padrões de comportamento.

Abordagem Humanista.

A Abordagem Humanista, que inclui a Terapia Centrada no Cliente de Carl Rogers, surgiu como uma "terceira força" na psicologia, em contraponto à psicanálise e ao behaviorismo. Ela se baseia na crença fundamental de que todo ser humano possui um potencial inato para o crescimento, a autorrealização e a capacidade de fazer escolhas conscientes e responsáveis.

Nessa abordagem, o terapeuta atua como um facilitador, criando um ambiente de acolhimento, empatia e aceitação incondicional. O foco está no presente e na experiência subjetiva do paciente. O objetivo não é interpretar ou dar conselhos, mas sim auxiliar o indivíduo a se conectar com seus próprios recursos internos, a desenvolver o autoconhecimento e a encontrar suas próprias respostas. A relação terapêutica é vista como o principal motor de mudança.

Como pode ajudar você: se você busca um espaço para se sentir plenamente aceito, sem julgamentos, e deseja desenvolver sua autonomia, autenticidade e potencial, a abordagem humanista pode ser ideal. É recomendada para quem busca autoconhecimento, clareza sobre seus valores, lidar com questões de sentido da vida, propósito e desenvolvimento pessoal. Se a ideia de ser o protagonista do seu próprio processo terapêutico te atrai, essa abordagem pode ser o caminho.

Gestalt-Terapia.

A Gestalt-terapia, desenvolvida por Fritz Perls e Laura Perls, é uma abordagem humanista e experiencial que enfatiza a consciência do "aqui e agora". A palavra "Gestalt" (do alemão, "forma" ou "todo") refere-se à ideia de que o ser humano busca dar sentido e fechar ciclos em sua experiência. Quando algo fica "inacabado" (uma emoção não expressa, um conflito não resolvido), isso gera sofrimento e impede o desenvolvimento pleno.

Na Gestalt-terapia, o foco está em trazer a experiência presente para a consciência, utilizando técnicas que envolvem a percepção sensorial, as emoções, o corpo e as interações. O terapeuta estimula o paciente a experimentar seus sentimentos e sensações no momento, em vez de apenas falar sobre eles. O objetivo é promover a consciência do "como" o indivíduo funciona (seus padrões de comportamento e interrupções no contato com o ambiente), em vez de apenas o "porquê".

Como pode ajudar você: se você sente dificuldade em expressar suas emoções, lida com ansiedade, perfeccionismo, problemas de relacionamento, ou busca maior consciência corporal e emocional, a Gestalt-terapia pode ser muito útil. É uma abordagem prática e experiencial, indicada para quem gosta de se envolver ativamente no processo e experimentar novas formas de se relacionar consigo mesmo e com o mundo.

Abordagem Sistêmica/Familiar.

A Abordagem Sistêmica compreende o indivíduo não como um ser isolado, mas como parte de um sistema maior, principalmente a família. O pressuposto é que os problemas de um indivíduo podem ser compreendidos e resolvidos dentro do contexto das relações e dinâmicas familiares. O foco está nos padrões de interação, comunicação e papéis desempenhados por cada membro no sistema familiar.

Na terapia sistêmica, a família é frequentemente envolvida nas sessões, embora também seja possível trabalhar individualmente, com o terapeuta ajudando o paciente a compreender seu papel nas dinâmicas familiares e a desenvolver novas formas de se relacionar. O terapeuta atua como um facilitador para que o sistema familiar possa encontrar um novo equilíbrio.

Como pode ajudar você: Se seus problemas estão fortemente ligados a conflitos familiares, dificuldades de comunicação com parentes, ou se você sente que as dinâmicas da sua família impactam diretamente seu bem-estar, a abordagem sistêmica pode ser muito eficaz. É indicada para famílias em crise, casais com dificuldades, ou indivíduos que desejam entender melhor como suas relações familiares moldam sua vida e aprender a estabelecer limites mais saudáveis.

Como escolher a abordagem certa para você?

Diante de tantas opções, a pergunta que permanece é: como saber qual abordagem psicológica é a melhor para mim? A verdade é que não existe uma resposta única, pois a escolha ideal é muito particular e depende de diversos fatores:

  • Seus objetivos: você busca uma solução rápida para um problema específico (TCC)? Quer explorar padrões profundos e do passado (Psicanálise)? Deseja autoconhecimento e desenvolvimento pessoal (Humanista/Gestalt)? Ou seus problemas estão enraizados em dinâmicas familiares (Sistêmica)?

  • Sua personalidade e estilo de vida: você se sente mais confortável com uma terapia estruturada e focada em tarefas (TCC) ou prefere um espaço mais livre e de autodescoberta (Psicanálise, Humanista, Gestalt)?

  • O vínculo com o profissional: mais importante do que a abordagem em si, é a conexão e a confiança que você sente no seu psicólogo. Um bom vínculo terapêutico é fundamental para o sucesso do tratamento, independentemente da linha teórica.

  • Abertura para explorar: algumas abordagens demandam maior disposição para o autoconhecimento profundo e a exploração de temas delicados, enquanto outras são mais direcionadas para a modificação de comportamentos e pensamentos.

Dica importante: Você não precisa ser um especialista em psicologia para começar a terapia. O mais comum é procurar um psicólogo e, nas primeiras sessões, conversar abertamente sobre suas expectativas, o que te trouxe para a terapia e quais são suas dificuldades. Um bom profissional será capaz de explicar como a abordagem que ele segue pode te ajudar e, se sentir que outra abordagem seria mais adequada, poderá inclusive indicar colegas que trabalham com outras linhas.


Conclusão.

As abordagens psicológicas são ferramentas valiosas que os psicólogos utilizam para guiar o processo terapêutico. Longe de serem meros rótulos, elas representam diferentes filosofias e técnicas para compreender e promover o bem-estar humano. Seja qual for a sua necessidade – lidar com a ansiedade, superar um trauma, melhorar relacionamentos ou simplesmente buscar maior autoconhecimento –, existe uma abordagem que pode ressoar com você e te ajudar a alcançar uma vida mais plena e equilibrada.

O primeiro passo é se permitir explorar esse universo, que é vasto e acolhedor. Ao compreender as diferentes "lentes" da psicologia, você estará mais preparado para fazer uma escolha consciente e iniciar sua jornada de transformação. Lembre-se: cuidar da sua saúde mental é um investimento em você mesmo e no seu futuro.

Um passo de cada vez já é caminho.

Com carinho,

Psi Flavia :)